Após reforma, ações trabalhistas caem 38%

Passado quase um ano de vigência da nova legislação, o volume de ações que entraram nas Varas do Trabalho (primeira instância) está em um patamar 38% inferior a 2017. É o que apontam dados do TST (Tribunal Superior do Trabalho), divulgados na segunda-feira passada (5).

Entre dezembro de 2017, primeiro mês completo após entrarem em vigor as mudanças na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), e setembro deste ano, as Varas receberam 1,4 milhão de reclamações trabalhistas, contra 2,2 milhões no mesmo período do ano anterior. Especialistas atribuem boa parte do recuo à exigência de que o trabalhador, caso de derrota, arque com honorários, como o pericial e o de sucumbência, destinado ao advogado da outra parte.

Antes da reforma trabalhista, o empregado, mesmo ao perder o processo, não era responsável por esses custos. “Até a reforma, como não existia nenhum tipo de ônus ou consequência ao empregado, muitas ações eram ajuizadas mais por uma aventura jurídica do que pela busca por um direito concreto”, afirma Tricia Oliveira, sócia do escritório Trench Rossi Watanabe.

Em novembro de 2017, houve uma corrida para o ajuizamento de ações ainda na vigência da antiga lei, e o primeiro grau registrou um pico de casos novos recebidos: 289,7 mil. Já em dezembro do ano passado, porém, o ingresso de ações despencou para 84,2 mil, conforme agentes do direito aguardavam para entender como funcionaria a nova regra.

De lá para cá, o volume de processos até subiu, mas ainda não rompeu a barreira de 167 mil registrada em agosto deste ano.

Oliveira chama a atenção para o salto de 89,7 mil novos processos em janeiro para 118,2 mil em fevereiro. “Vemos com esse movimento os sindicatos correndo para entrar com ações que garantissem o recolhimento da contribuição sindical”, observa. A reforma acabou com o imposto sindical compulsório, que descontava por ano, geralmente em março, um dia de salário de cada trabalhador para financiar o sindicato. Foi só em junho, no entanto, que o STF (Supremo Tribunal Federal) bateu o martelo e validou a legalidade do fim da cobrança.

O volume de novos processos não cedeu apenas pela cautela do trabalhador, mas também porque alguns pontos da reforma ainda não foram completamente pacificados. “Teve uma espécie de moralização dos pedidos, ao mesmo tempo em que há uma ausência de normatização definitiva sobre alguns assuntos que ainda serão avaliados pelo STF, o que deixa tudo meio em suspenso”, diz Oliveira. Segundo o TST, tramitam no Supremo 19 ações acerca da constitucionalidade de dispositivos da reforma, relacionados, por exemplo, ao trabalho e à possibilidade de gestantes e lactantes trabalharem em locais insalubres. 

Otavio Pinto e Silva, sócio do escritório Siqueira Castro e professor de direito do trabalho da USP, destaca que a própria discussão sobre pagamentos de honorários por parte de beneficiários da Justiça gratuita, permitidos pela nova lei, segue em aberto no STF. “Dependendo do que for decidido, podemos ter ou não um maior ajuizamento de ações no futuro”, diz.

Começasse a regular o direito trabalhista. A entender as duas partes do embate. A responsabiliza-las, ambas, por suas ações e intenções. E isso já é um passo, ainda tímido e aberto a alinhamentos, mas em direção a boa relação empregado empregador no Brasil. Que sigamos no caminho, de forma justa, consistente e que permita o empreendedorismo e o crescimento do trabalho no nosso país.

Referência: Fonte Folha de São Paulo

Adaptação e Opinião: Juliana Silveira

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